Poucos lugares no estado do Rio apresentam contraste geotécnico tão marcante quanto Campos dos Goytacazes. No centro consolidado, próximo à Av. 28 de Março, o terreno superficial muitas vezes engana com uma camada de aterro argiloso sobrejacente a sedimentos inconsistentes, enquanto nos distritos como Guarus ou Travessão a influência das cheias históricas do Paraíba do Sul moldou depósitos de argila mole orgânica com SPT frequentemente abaixo de 3 golpes nos primeiros 8 metros. Essa variabilidade, que vai de solos residuais de tabuleiro terciário na margem esquerda até as turfas da baixada campista, exige um estudo de mecânica dos solos que vá além da sondagem preliminar. Nós integramos investigações de campo com ensaios de laboratório avançados porque o projeto de fundações em Campos dos Goytacazes não pode depender de correlações genéricas: a presença de lentes de areia fina saturada intercaladas com argila mole cria condições de drenagem complexas que afetam diretamente o recalque por adensamento e a resistência ao cisalhamento.
Grande parte das patologias em fundações na baixada campista tem origem em um único erro: tratar a argila mole saturada como material drenado.
