Em Campos dos Goytacazes, a planície aluvial do Rio Paraíba do Sul impõe um regime de solos que não perdoa projetos improvisados. Observamos com frequência que empreendimentos na região central, próximos à antiga margem do canal Campos-Macaé, enfrentam lençol freático elevado e intercalações de argilas moles com lentes de areia fina, o que exige um dimensionamento de estruturas de arrimo que vá muito além da simples verificação de tombamento e deslizamento. O projeto de muros de contenção precisa incorporar parâmetros de resistência obtidos em campanhas de investigação criteriosas, porque a heterogeneidade do pacote sedimentar local, com camadas de até 20 metros de espessura, pode transformar uma solução convencional em um problema de recalque diferencial em poucos anos. Por isso, integramos desde a fase de concepção o ensaio de granulometria para determinar a distribuição dos finos e, quando a estratigrafia sugere a presença de material coesivo com baixa capacidade de suporte, recorremos às sondagens SPT para mapear a resistência à penetração a cada metro perfurado, assegurando que a fundação do muro apoie em horizonte competente.
O dimensionamento de um muro na planície de Campos começa com o entendimento de que a água subterrânea nunca está longe e a argila mole nunca está sozinha.
