O equívoco mais frequente que construtoras cometem em Campos dos Goytacazes é acreditar que a resistência ao cisalhamento não drenada obtida em uma sondagem preliminar de 15 metros é suficiente para projetar um túnel. A planície aluvionar do Rio Paraíba do Sul esconde intercalações de areia fina saturada sob camadas argilosas que, quando interceptadas pela tuneladora, geram instabilidade imediata na frente de escavação. Em três projetos recentes na margem direita do rio, nossa caracterização revelou lentes arenosas confinadas a apenas 11 metros de profundidade que passaram despercebidas em campanhas anteriores. Antes de avançar com o faceamento, é prudente cruzar esses dados com um ensaio CPT para identificar a posição exata das interfaces entre camadas, ou programar sondagens SPT com medição de torque a cada metro para refinar o perfil estratigráfico.
A planície de inundação do Paraíba do Sul exige caracterização geotécnica com resolução centimétrica: o contato entre argila mole e areia confinada é o gatilho de instabilidade mais subestimado em túneis no norte fluminense.
